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Mulheres que cuidam: histórias da enfermagem paraibana inspiram no Dia Internacional da Mulher

Entre plantões, maternidade e desafios diários, profissionais compartilham trajetórias que revelam a força feminina na maior categoria da saúde

07.03.2026

Na Paraíba, a enfermagem tem rosto majoritariamente feminino. Dos 62.271 profissionais registrados no estado, 54.793 são mulheres, um número que evidencia a presença e a força feminina na maior categoria da área da saúde. No Brasil, esse cenário também se repete: cerca de 85% da enfermagem é formada por mulheres, segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem.

Esse protagonismo também se reflete nos espaços de representação da profissão. Atualmente, oito mulheres integram a plenária do Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba, contribuindo diretamente para as decisões e para o fortalecimento da enfermagem no estado. Nesta reportagem, algumas dessas trajetórias ajudam a revelar as histórias, desafios e motivações de quem vive diariamente a missão de cuidar.

Enquanto grande parte da população segue sua rotina, milhares dessas profissionais estão em hospitais, unidades básicas e serviços de emergência cuidando de vidas, muitas vezes conciliando jornadas intensas de trabalho com a maternidade, a família e as responsabilidades do dia a dia.

Mais do que números, são histórias de dedicação, escolhas e superação que atravessam a vida profissional e pessoal. Na Paraíba, essas trajetórias revelam como a enfermagem é construída diariamente com coragem, empatia e um profundo compromisso com o cuidado.

Técnica de enfermagem, Neuma Balbino.

Há 15 anos na enfermagem, Neuma Balbino divide sua rotina entre o trabalho em UTI adulto no período noturno e a atuação em uma Unidade Básica de Saúde. Mãe de três filhos e avó de três netos, ela iniciou na profissão em um momento desafiador da vida, quando os filhos ainda eram adolescentes e dependiam de sua presença. Como única responsável pelo sustento da família, conciliar trabalho e casa exigiu força e determinação.

“Consegui seguir em frente com a ajuda de Deus e da minha filha mais velha, que me ajudava muito nas tarefas de casa. Como só eu era a provedora, não poderia parar de trabalhar”, conta.

Para Neuma, a profissão acabou se tornando algo maior do que imaginava no início. “Costumo dizer que não fui eu que encontrei a enfermagem, foi ela que me encontrou. Muitas vezes precisamos deixar nossas dores em casa para cuidar da dor do outro com humanidade e um sorriso no rosto”, afirma Neuma. 

Enfermeira, Priscilla Araújo.

A história da enfermeira Priscilla Araújo também tem raízes familiares. Filha de uma auxiliar de enfermagem, ela cresceu ouvindo relatos sobre o trabalho, os desafios e o amor pela profissão. Essa convivência despertou nela a vontade de seguir o mesmo caminho.

Hoje, aos 32 anos, Priscilla atua na área de gestão em enfermagem e soma 11 anos de profissão. Mãe de uma filha, ela descreve a rotina como um exercício constante de equilíbrio entre carreira, maternidade e vida pessoal. “Conciliar enfermagem, família e vida pessoal é um malabarismo constante. Nem tudo precisa ser perfeito ao mesmo tempo. Em alguns momentos o trabalho exige mais, em outros a família ou você mesma”, ressalta. 

Enfermeira, Luana Tomaz.

Mesmo diante dos desafios, ela reafirma a escolha pela profissão. “Se tivesse que escolher mil vezes uma profissão, mil vezes escolheria ser enfermeira, destaca com orgulho Priscilla. 

Na área de urgência e emergência, cada minuto pode fazer diferença. É nesse cenário que atua a enfermeira Luana Tomaz, de 36 anos, que soma 14 anos de profissão. Mãe de duas filhas, ela busca aproveitar os momentos de folga para estar com a família.

“Quando estou em casa, minha prioridade é a família. Nem sempre é fácil, porque nós mulheres ainda temos muitas responsabilidades domésticas, mas vamos nos organizando”, afirma Luana. 

Para Luana, a motivação para permanecer na enfermagem está no impacto do cuidado na vida das pessoas. “Escolhi a enfermagem por vocação e por querer fazer a diferença. Ver o alívio e a gratidão nos olhos dos pacientes e familiares é algo que não tem preço”, confessa. 

A enfermeira Crisane Farias, de 34 anos, também encontrou inspiração dentro da própria família. Filha de uma enfermeira com mais de 30 anos de profissão, ela cresceu acompanhando o trabalho da mãe e desenvolveu admiração pela área desde cedo. Hoje, com mais de 13 anos de carreira, atua na área de urgência e emergência e também vive a experiência da maternidade, sendo mãe de uma menina.

Enfermeira, Crisane Farias.

Para ela, conciliar os diferentes papéis da vida exige organização e dedicação, mas também traz realização. “A enfermagem é uma paixão, não um fardo. Conciliar a profissão com a vida pessoal é um malabarismo cotidiano, mas é leve quando se faz o que ama, destaca. 

Segundo Crisane, o desejo de ajudar o próximo continua sendo o principal combustível da profissão. “Nem sempre conseguimos dar conta de tudo completamente, mas a vontade de fazer mais e melhor já nos coloca em outro patamar.”

Enfermeira, Maryama Naara.

A trajetória da enfermeira Maryama Naara, de 41 anos, também reúne vocação, família e dedicação à profissão. Enfermeira obstetra, intensivista, emergencista e professora, ela soma 18 anos de carreira na área da saúde. Casada com Rodrigo e mãe de Maria Fernanda, Luiz Felipe e João Pedro, Maryama conta que sempre sonhou em ser mãe e também em seguir na enfermagem.

“Sempre quis muito ser mãe e também amo ser enfermeira. Acho que toda mãe enfermeira carrega um medo de não estar presente em momentos importantes da vida da família, mas também sentimos a satisfação de cuidar e amenizar a dor do outro”, ressalta Maryama. 

Para Maryama, a profissão também ensina sobre limites e autocuidado. “Sejamos o melhor que pudermos ser na nossa profissão e no nosso lar. Nem sempre vamos dar conta de tudo, e está tudo bem. Mas precisamos cuidar da nossa saúde física e mental, porque só conseguimos cuidar bem do outro quando também cuidamos de nós”, afirma. 

Enfermeira, Rafaella Kelly.

Na gestão da enfermagem há 20 anos, Rafaella Keyla, de 42 anos, concilia a rotina profissional com a vida familiar. Mãe de Bianca, de 6 anos, e Bernardo, de 3, ela destaca que organização, gestão do tempo e autocuidado são essenciais para manter o equilíbrio entre trabalho e família.

A escolha pela enfermagem surgiu após uma experiência marcante: Rafaella sobreviveu a um desastre em que perdeu o pai e a irmã. Anos depois, atuou como voluntária socorrista da Polícia Rodoviária Federal, e decidiu seguir a carreira como missão de vida, com o propósito de ajudar outras pessoas.

“O que mais me inspira é poder cuidar, fazer a diferença e, muitas vezes, ser um ‘anjo guardião’ na vida de alguém”, afirma. Ela deixa uma mensagem para outras mulheres da profissão: “Honrem o seu protagonismo, cuidem de si mesmas e persistam na valorização da enfermagem”.

Enfermeira, Renata Livia

Com mais de duas décadas dedicadas à enfermagem, Renata Livia, de 46 anos, atua na clínica médica, na saúde do homem e nas políticas públicas de saúde. Mãe de Maria Eduarda, ela mantém a enfermagem como parte de sua rotina diária, mas também valoriza momentos de cuidado pessoal e convivência com a família.

Para Renata, a enfermagem é mais do que uma carreira: “Entendi que cuidar vai além de um trabalho, é um chamado do coração. A enfermagem me ensinou a servir com amor, empatia e sem discriminação. Amenizar a dor de alguém e oferecer conforto não tem preço.”

Sua trajetória inspira outras mulheres da profissão. “Que possamos exercer a enfermagem com amor, zelo e fazer sempre a diferença na arte do cuidar”, reforça. Ela acredita que cuidar transforma tanto a vida de quem recebe atenção quanto a de quem oferece, tornando a enfermagem um verdadeiro ato de amor e dedicação.

As histórias dessas profissionais refletem uma realidade presente em todo o país. A enfermagem é hoje a maior força de trabalho da área da saúde no Brasil, responsável por grande parte da assistência prestada à população. Nesse universo, as mulheres são protagonistas. Elas estão na linha de frente do cuidado, na gestão de equipes, na formação de novos profissionais e na construção de políticas de saúde.

Neste Dia Internacional da Mulher, a homenagem é para todas elas, mulheres que transformam conhecimento em cuidado, dedicação em esperança e fazem da enfermagem mais que uma profissão, mas uma verdadeira missão de cuidar da vida. 

Ascom 

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