18/02/2020

Profissional de enfermagem conta em programa de TV os detalhes da agressão que sofreu de médico alcoolizado

Na Paraíba, a presidente do Coren PB, Dra. Renata Ramalho, classificou o episódio como um “completo absurdo”. “É inaceitáve ...

Um vídeo que viralizou nas redes sociais revoltou os internautas. Jhuliana Ferreira foi agredida verbalmente por um médico psiquiatra visivelmente alcoolizado. Os xingamentos começaram após o médico reclamar de não ser prioridade no atendimento. Aparentemente tranquila durante o vídeo, a técnica de enfermagem conta que não foi bem assim.

“Aparentemente, né? Porque na hora eu me tremia tanto… Foi um misto de sentimentos. Deu medo, deu angustia, deu vontade de chorar. Me senti pressionada ali também. Me deu raiva também. Eu sou ser humano. Por ouvir tudo o que eu ouvi ali naquele momento. Mas tive a consciência de que alguém estava precisando do meu cuidado então eu só fiquei com o pensamento: ‘Eu preciso continuar com o que estou fazendo. É o meu trabalho e eu vou continuar’”.

Fátima Bernardes comentou com psiquiatra Marco Antonio Abud o perigo que o paciente teria colocado a Jhuliana, já que no momento da agressão ela estava ministrando um medicamento. Ele concordou com a afirmação da apresentadora e pediu perdão em nome da classe médica, além de explicar que profissionais de enfermagem estão mais expostos a sofrer esse tipo de agressão verbal. O especialista também explicou se o álcool pode mudar a personalidade de uma pessoa.

“O que o álcool faz com o nosso cérebro? Ele anestesia o nosso filtro social. Então ele diminui o nosso centro de controle que fica no córtex pré-frontal. A gente fica mais impulsivo, mais desinibido, mais extrovertido. E a gente perde um pouco a capacidade de empatia pelo outro. Mas o álcool não muda a personalidade, não muda os valores morais da pessoa e não muda as ações morais da pessoa. Resumindo: o álcool é um facilitador, ele não justifica nenhum tipo de comportamento inadequado.

Em vídeo também postado nas redes, o médico psiquiatra José Gilberto Luna Sobrinho pede desculpas pelo ocorrido, dizendo que tinha realmente exagerado na bebida.

Primeira noite

“A primeira noite em si foi complicada. Meu esposo sabe. Quando eu contei o acontecido [ao esposo] só sabia chorar junto. Porque é ruim passar por uma situação dessa onde dentro da sua casa, com a sua família você nunca vivenciou. E você ouvir tudo aquilo de um estranho. Eu estou recebendo todo apoio do meu conselho [Conselho Regional de Enfermagem – Coren], da instituição onde eu trabalho, dos colegas, da minha família. Então minha cabeça está bem tranquila, que eu sei que eu fui um alvo ali. Eu não fiz nada para que aquilo acontecesse”.

Por fim, o doutor Abud deu algumas dicas de como reagir a ofensas: evitar o embate, tentar acalmar o outro, propor uma solução.

Apoio

A profissional de Enfermagem afirmou também que está recebendo o apoio do Coren-RJ, da instituição onde trabalha, dos colegas e de sua família. “Então minha cabeça está bem tranquila, que eu sei que eu fui um alvo ali. Eu não fiz nada para que aquilo acontecesse”, contou Julhiana, que recebeu o apoio da plateia e elogio dos demais participantes do quadro.

Fátima Bernardes realizou ainda leitura de nota, que relata que o Coren-RJ esteve na Casa de Saúde Nossa Senhora de Fátima no último dia 12 (quarta-feira), onde conversou com a Gerente de Enfermagem da instituição e com a profissional. O Conselho forneceu suporte jurídico para realização de queixa crime por injúria e crime contra a honra, além de auxiliar a Técnica de Enfermagem para entrar com ação civil por danos morais contra o Psiquiatra. O Cofen protocolou denúncia ética junto ao CREMERJ.

Coren PB se posiciona sobre o caso

Na Paraíba, a presidente do Coren PB, Dra. Renata Ramalho, classificou o episódio como um “completo absurdo”. “É inaceitável que uma profissional de Enfermagem seja agredida verbalmente de maneira tão desrespeitosa em seu local de trabalho”. E completou: “Infelizmente cenas como esta ocorrem em todo Brasil e cabe a instituições fiscalizadoras dar um basta em casos como este, agindo com firmeza”, avaliou.




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